“Já aceitei que o tempo há-de passar e com ele levar todo este turbilhão de sentimentos. Também já aceitei que fiz tudo o que podia e não podia para tentar marcar a diferença, para tentar que não houvesse um real desperdício do potencial de mim e de ti, de nós, que tanto nos tem transtornado. Que ambos temos consciência de que isto é algo que nunca poderia dar certo, não alivia em nada a opressão que sinto no peito, a profunda tristeza que me assalta e a solidão que se instala.
São os demónios do que nunca seremos que me atormentam, que gozam comigo e não me deixam dormir à noite. Por vezes penso que vou enlouquecer, perder-me nos devaneios do que uma vida sem ti me poderá fazer. Caio no esquecimento de que há mais para além de nós; não quero mais, quero-te a ti. Nos momentos mais febris, sinto-me capaz de uma loucura só para te ter a sorrir de novo para mim, para te ter nos meus braços mais uma vez, para que possamos adiar o inadiável mais uns momentos.
Nunca antes tinha sentido tal desassossego da liberdade de que somos dotados. Quem disse que ser livre era fácil? Porque apesar de sermos livres de tomar as nossas próprias decisões, jamais seremos livres das consequências das mesmas. Mas então que liberdade madrasta é esta? Oh, eu sei, claro, a liberdade está lá, mas com ela vive a responsabilidade. A responsabilidade do que somos, do por que lutamos, dos nossos sonhos e desilusões.
O meu sonho és tu, a minha desilusão sou eu, e lutar por ti tornou-se uma responsabilidade demasiado pesada. São as bagagens do passado que insiste em ser presente, mesmo que um presente oco, opaco, vazio e sem futuro. Condeno-me a viver sozinho, neste isolamento assombrado por tudo aquilo que não fui capaz de conquistar, por tudo aquilo que nem ousei sequer ambicionar. Condeno-me a uma vida de amores não vividos e paixões não sentidas. Tudo porque não te soube amar quando mais precisei, quando mais precisaste, quando podíamos ter passado do éter à substância. Uso a minha liberdade para me prender, para não mais te fazer sofrer.”
In http://www.branmorrighan.com/
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
domingo, 17 de março de 2013
O tempo passa, e continuas a ser tu. E só faz sentido se fores tu.
Mas é um sentido sem sentido... É qualquer coisa que não sei explicar.
Sei que te amo. Sei que te amo só a ti. Que o brilho desse olhar me ajuda a cada dia, de uma forma doentia ou não, a ver um mundo melhor. Ao mesmo tempo que sinto que esse sorriso não me deixa ir embora, nem quer que vás embora... Mas também não te tem por completo. Nem tu me tens a mim.
No fundo, somos tudo e nada. Porque o tudo não funciona, e o nada é tão pouco para o tanto que temos. No fundo, nem quero rótulos. Ou se calhar não quero nada. Acho que não sei o que quero, e por isso deixo-te partir. Todos os dias... E todos os dias receio que não voltes. Por muito que saiba que de alguma maneira hás-de sempre estar. Mesmo que não seja como no ponto de partida desta nossa história. Talvez fiques de uma maneira mais saudável e melhor. Talvez não... Provavelmente sim.
É assim que passo as minhas horas. A questionar-me, ou a fingir que não tenho questões e que está tudo bem. A segunda hipótese seria a mais simples e mais sensata, mas nem sempre a mais eficaz. Porque quero ver-te, ouvir-te, abraçar-te. Quero contar-te como foi o meu dia, como me sinto, o que penso. E ao mesmo tempo quero libertar-me, e deixar-te ser feliz.
E as horas passam... E eu estou aqui, no mesmo lugar, com o mesmo sentimento do primeiro dia em que te tive. Muita coisa mudou, mas eu continuo igual. Simplesmente há coisas que preferia não conhecer, há histórias que podiam nunca ter existido, e são essas mesmas histórias que não me deixam partir nem ficar. Num sonho que é meu, teu, e de tudo o que por nós passou. E a cada segundo vivo numa inconstante avalanche de dúvidas e certezas daquilo que quero e não quero para mim, e, no final, continuo naquela praia, sentada, sozinha, tendo uma única certeza: Se te vir passar, vou querer abraçar-te, sorrir para ti, e saber que te sentas ao meu lado o resto das nossas vidas. Nem que seja para uma simples conversa. Como a que recordo do primeiro dia das nossas vidas.
domingo, 11 de março de 2012
quinta-feira, 8 de março de 2012
Walt Disney ♥
"E assim, depois de muito esperar, num dia como outro qualquer, decidi triunfar…
Decidi não esperar as oportunidades e sim, eu mesmo buscá-las.
Decidi ver cada problema como uma oportunidade de encontrar uma solução.
Decidi ver cada deserto como uma possibilidade de encontrar um oásis.
Decidi ver cada noite como um mistério a resolver.
Decidi ver cada dia como uma nova oportunidade de ser feliz.
Naquele dia descobri que meu único rival não era mais que minhas próprias limitações e que enfrentá-las era a única e melhor forma de as superar.
Naquele dia, descobri que eu não era o melhor e que talvez eu nunca tenha sido.
Deixei de me importar com quem ganha ou perde, agora, importa-me simplesmente saber melhor o que fazer.
Aprendi que o difícil não é chegar lá em cima, e sim deixar de subir.
Aprendi que o melhor triunfo que posso ter, é ter o direito de chamar a alguém de ‘Amigo’.
Descobri que o amor é mais que um simples estado de enamoramento, ‘o amor é uma filosofia de vida’.
Naquele dia, deixei de ser um reflexo dos meus escassos triunfos passados e passei a ser a minha própria tênue luz deste presente.
Aprendi que de nada serve ser luz se não vai iluminar o caminho dos demais.
Naquele dia, decidi trocar tantas coisas…
Naquele dia, aprendi que os sonhos são somente para fazer-se realidade.
E desde aquele dia já não durmo para descansar... simplesmente durmo para sonhar."
Walt Disney
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
domingo, 19 de fevereiro de 2012
sábado, 18 de fevereiro de 2012
"Um dia isto tinha de acontecer"
"Um dia, isto tinha de acontecer.
Existe uma geração à rasca?
Existe mais do que uma! Certamente!
Existe uma geração à rasca?
Existe mais do que uma! Certamente!
Está
à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança
caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras
da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A
ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão)
à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como
esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a
sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido
nos últimos anos.
Deslumbradas
com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e
as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das
dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram
dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos
por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus
descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração
mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma
vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão,
cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios,
dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as
expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou
presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante
anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o
dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em
substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia
tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que
se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.
Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os
pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem
Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não
se entra à borla nem se consome fiado.
Os
pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a
pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de
adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São
pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da
luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os
filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem
dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.
São
estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de
dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por
isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos,
porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes
disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que
já ninguém lhes pode dar!
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.
Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis
agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por
escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na
proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o
país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois
correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade
operacional.
Eis
uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio
nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique
que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e
interpretação da realidade em que se insere.
Eis
uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não
poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que
deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que
queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença
entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num
tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis
uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como
mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi
ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis
uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a
quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero
alheio.
Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os
jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no
retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e
nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos
nós).
Chego
a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem,
atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são
empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque,
que inveja! que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros
(como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a
ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.
E
nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos
nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a
que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que
ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e
indevidamente?!!!
Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A
culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem
fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a
sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la. Curiosamente, não
é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço?"
Por Assobio Rebelde
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
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